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The Prague Cemetery

Amigos, O livro de Umberto Eco do qual falei na última postagem ainda não saiu no Brasil, mas traduzi a resenha feita pelo próprio Umberto Eco para vocês. Comenta-se que 'The Prague Cemetery' é melhor que 'O Nome da Rosa' e ainda está sendo considerado a
obra prima de Eco. Quem conhece e gosta desse autor sabe que isso é muita coisa...



O século XIX fervilhava com eventos misteriosos e horríveis: Os Protocolos dos Sábios de Sião, a notória falsificação que mais tarde inspirou Hitler; o Caso Dreyfus, e numerosas intrigas envolvendo os serviços secretos de vários países, seitas maçônicas, conspirações jesuítas, bem como outros episódios que, se não fossem verdades bem documentadas, seriam difíceis de acreditar.

O Cemitério de Praga é uma história em que todos os personagens, exceto um, realmente existiram. Mesmo o avô do herói, o autor de uma misteriosa carta que provocou o antissemitismo moderno, é histórico.

E o próprio herói, apesar de ficcional, é um personagem que se assemelha a muitas pessoas que conhecemos, tanto do passado como do presente. No livro, ele é o autor de diversas fabricações e conspirações contra um pano de fundo de golpes teatrais: esgotos cheios de cadáveres, navios que explodem na região de um vulcão em erupção, abades esfaqueados até a morte, notários com barbas postiças, histéricas mulheres satanistas, celebrantes de missas negras, e assim por diante.

Estou esperando dois tipos de leitores. O primeiro não tem ideia de que todas estas coisas realmente aconteceram, não sabe nada sobre literatura do século XIX, e que pode até ter levado Dan Brown a sério. Ele ou ela deve obter uma certa satisfação sádica do que parece ser uma invenção perversa, incluindo o personagem principal, que eu tentei fazer o mais cínico e desagradável em toda a história da literatura.

O segundo, no entanto, sabe ou sente que estou contando coisas que realmente aconteceram. O fato de que a história pode ser tão dúbia fará com que o suor escorra pela testa desse leitor molhando suas sobrancelhas. Ele vai olhar ansiosamente para trás, acender todas as luzes, e suspeitar que essas coisas poderiam acontecer de novo hoje. Na verdade, elas podem estar acontecendo nesse exato momento. E ele pensará, como eu faço: "Eles estão entre nós ..."

Umberto Eco.

Um comentário:

Morais, P. disse...

Hum, estou curiosa para ler. Pelo resumo, parece excelente.